Nos dias 20 e 21 de agosto, o Hospital Sofia Feldman recebeu o Projeto Rebuçá – Cuidado, Saberes Tradicionais e Redes de Apoio ao Maternar, uma iniciativa que uniu, por dois dias, mulheres quilombolas, parteiras tradicionais, tecelãs e profissionais da saúde em uma verdadeira conexão entre a cultura popular e a ciência.
O encontro transformou o hospital em um espaço de escuta e convivência, onde diferentes formas de compreender e cuidar da gestação, do parto, do nascimento e do puerpério puderam se encontrar e dialogar.
Duas culturas, um mesmo cuidado
Durante a programação, guardiãs dos saberes tradicionais, tecelãs do corim e integrantes do grupo Ribeirão de Areia, do Vale do Jequitinhonha, estiveram no Sofia Feldman para conduzir rodas de conversa e compartilhar suas vivências com os trabalhadores do hospital.
Um dos momentos mais marcantes foi a partilha dos corins, mantas de algodão tecidas à mão pelas mulheres para acolher os recém-nascidos. Cantigas de ninar e histórias que atravessam gerações também estiveram presentes, trazendo para dentro do Sofia Feldman um pouco da memória e da cultura dessas comunidades.
Para o Sofia Feldman, receber o Rebuçá foi uma chance de aproximar diferentes formas de cuidar, valorizando saberes transmitidos entre gerações e reforçando a escuta, o protagonismo feminino e as redes de apoio ao maternar.
O projeto, com duração de dois anos, é concebido pela Tingui, organização que atua no Vale do Jequitinhonha desde 1999, e integra o programa Mulheres do Jequitinhonha. A vivência em Belo Horizonte contou ainda com a parceria da Fiocruz Minas, do programa Sentidos do Nascer, do SUS e da UFMG.
Além da capital mineira, a iniciativa segue com encontros no Vale e, ao final, resultará em um livro colaborativo e um vídeo-documentário.
